"Intervalo bíblico” em escolas pernambucanas vai parar na justiça

 

Grupo de alunos se organizou espontaneamente para estudar a Bíblia na escola. Sindicato alega que as reuniões ferem a laicidade do Estado.

 

A realização de “intervalos bíblicos” por alunos de escolas públicas de Pernambuco foi parar no Ministério Público (MP-PE).

As reuniões aconteciam nas pausas das aulas, com o objetivo de professar a fé cristã e estudar a Bíblia. Os cultos reuniam principalmente alunos adeptos ao evangelicalismo e eram organizados de forma espontânea pelos estudantes.

Os grupos foram denunciados ao Ministério Público pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Pernambuco (Sintepe). Os docentes alegam que é preciso regulamentar a prática para que se mantenha a laicidade da escola. 

Promotores se reuniram com a Secretaria de Educação e o Sintepe para avaliar se os cultos violavam o ensino religioso plural nas escolas. A informação foi divulgada pela jornalista Gabriela Brito, da CNN Brasil.  

O encontro aconteceu no último dia 30 de setembro. Na ocasião, o Promotor de Justiça Salomão Ismail Filho pediu uma lista das escolas onde as reuniões estariam sendo realizadas.  situação gerou debate sobre o uso do espaço comum das escolas públicas.

Intervalo bíblico excluiria outras religiões

Ivete de Oliveira, presidente do Sintepe, declarou que os cultos eram exclusivamente evangélicos, excluindo outras religiões.

Oliveira também criticou a falta de supervisão de profissionais da educação durante os encontros.

Em nota enviada à mesma jornalista, o Sintepe ressaltou a importância do debate sobre o uso dos espaços comuns das escolas.

“O Sindicato reafirma que não é contrário à prática religiosa dos estudantes, mas que o uso do espaço público precisa ser debatido entre toda a comunidade escolar, assim como idealizou o Ministério Público de Pernambuco”, relata o texto.

Cultos não interferem nas aulas

A assessoria de imprensa da Secretaria de Educação de Pernambuco informou em nota que o Estado tem o compromisso de manter a laicidade nas instituições.

“As escolas seguem as diretrizes do Currículo de Pernambuco, promovendo um ambiente que respeita a pluralidade religiosa”, explicou a pasta.

Ressaltou também que no currículo regular a o ensino religioso como um todo, sem priorizar nenhuma crença.

“É preciso soluções para os verdadeiros desafios”, afirma deputado

O deputado estadual Abimael Santos (PL-PE) criticou a investigação, alegando que a situação não precisaria envolver o Ministério Público.

Para ele, “é preciso soluções práticas para os verdadeiros desafios que nossas escolas enfrentam diariamente, como a falta de merenda, a ausência de professores e até denúncias de uso de entorpecentes dentro das unidades escolares”.

Após a denúncia do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Pernambuco (Sintepe), as discussões em torno da manifestação religiosa gerou debate.

Enquanto o Sintepe alega ser necessário regulamentar a atividade, críticos como o deputado Abimael Santos (PL-PE) querem resolver a situação internamente.

O MP informou que realizará uma audiência pública sobre o assunto em novembro, mas não precisou a data do encontro. A ideia é buscar soluções que respeitem os direitos individuais dos estudantes e mantenha a laicidade do Estado. Fonte: 


Redação Brasil Paralelo

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